Review BOSS GT-001 – Multiefeitos USB compacto

A Boss acabou de lançar na Musikmesse 2014 um grande velha novidade. Velha porque o conceito é antigo, mas uma novidade, pois trata-se de uma grande virada para a empresa, que passa a investir na produção musical mais integrada aos desktops e notebooks. Estou falando da Boss GT-001. É um multiprocessador de efeitos em formato desktop, com foco nos home studios e produção mobile. Não é uma inovação, é verdade, pois a Line 6 já faz isso tem um tempo. No entanto, esse equipamento tem algumas características que chamam a atenção. Principalmente de quem já está habituado a gravar em linha com o famosa linha POD e similares. Primeiramente, é preciso dizer que ele vem recheado de amps e efeitos, tudo turbinado com a tecnologia COSM, da Boss.

boss-gt-001-up

COSM

Pra quem não sabe, COSM não é um tipo de efeito, mas uma tecnologia de modelagem de som, que está presente e quase todos os produtos mais modernos da Boss e também da Roland (http://www.bossus.com/boss_users_group/article.php?ArticleId=1319).

ARSENAL DE GUERRA

Estão presentes na GT-001 algumas simulações interessantes de amps como o JC-120 (Jazz Chorus), Marshall 1959 / Plexi, Mesa Boogie Dual Rectifier Modern e Vintage, Soldano SLO-100, Orange Rockverb, VOX AC-30TB, Fender Twin Reverb, Fender Pro Reverb, Fender Deluxe Reverb. Os efeitos oferecidos, entre distorções, overdrives, compressores, reverbs e delays, também tem algumas estrelas como OD-1, Tube Screamer TS-808, Marshall GUV’NOR, MXR Distortion, MetalZone, Fuzz Face e uma infinidade de pedais que você, guitarrista experiente já conhece ou já ouviu falar. Mas fica tranquilo, que no final do artigo você vai encontrar o link para a lista completa. É importante dizer que ela tem saída dual (Dual Channel, baby!), ou seja, você pode combinar dois amps diferentes, com configurações independentes, para criar timbragens ricas e complexas.

 

CONEXÕES

A GT-001 tem porta USB, para comunicação com o computador. Infelizmente não existe um controle mais flexível para a quantidade de bits e sample rate. Ela trabalha com 24bits a 44Khz e ponto final (pelo menos até agora). Pela conexão USB é possível gravar até 2 pistas em estéreo. Uma pista com o som processado e a outra com o som limpo, que pode ser reprocessado no futuro, caso você seja necessáio. A ideia é excelente, porém, a documentação nesse detalhe é ruim e não orienta via passo a passo como realizar a operação. E isso pode ser frustrante para usuários mais inexperientes.

 

ENTRADAS / INPUTS

São três entradas: uma XLR para gravação utilizando microfones, com suporte para os do tipo a condensador, que utilizam Phanton Power, uma entrada ¼ para guitarra e uma ⅛ auxiliar.

gt-001_ins

 

SAÍDAS / OUTPUTS

A GT-001 tem 2 saídas estéreo. Uma que pode ser utilizada também como mono e a outra para fones de ouvido.

 

gt-001_outs

 

MIDI

Sim, MIDI está incuído no pacote. Mas de uma forma que, provavelmente, você não esperava. A GT-001 é capaz de converter sinal monofônico em MIDI. O que significa que sua guitarra poderá ser utilizada como um controlador MIDI. Funciona? A melhor resposta é: depende. Siga em frente, pois vamos dedicar um espaço maior ao assunto mais adiante.

 

FACILIDADE DE USO

A interface da GT-001 é muito intuitiva e semelhante à da já aclamanda GT-100. Na realidade, a GT-001 é praticamente uma GT-100 compacta, para uso sobre a mesa. São apenas seis knobs e alguns botões para configurar no modo standalone. Apesar da facilidade de uso, existe a possibilidade de operação via software Boss Tone Studio for GT, através da conexão USB. Com ele é possível editar e organizar seus patches, além de fazer download de timbres de outros músicos. Nesse momento, um dos garotos propaganda da Boss é um cara chamado Steve Lukhater. Se você não sabe quem ele é, vale a pena descobrir. Você pode, por exemplo, baixar alguns timbres criados por ele. É legal pra entender como o cara pensa, em termos de guitarra.

De um modo geral, é um equipamento muito simples de usar e é rápido pra conseguir um som entre razoável e bom. Claro que isso também dependerá de fatores como a sua experiência com o instrumento e bom gosto, que já é algo subjetivo. Se você pretende explorar as funcionalidades da GT-001 ao máximo, prepare-se. É um mundo a ser desbravado e te desejamos boa sorte, lembrando que os resultados podem ser muito recompensadores, pois as possibilidades de roteamento de som favorecem em muito a criatividade.

 

QUALIDADE DE SOM

A qualidade de som da GT-001 é muito boa. Em alguns momentos altos, chega a impressionar. As simulações são legais, bem honestas, mas acho que não preciso dizer que nenhuma simulação poderá ser comparada ao equipamento real. Afinal é uma simulação. Apesar de ser um equipamento digital, consigo sentir uma intenção de se aproximar de uma sonoridade analógica. O som é bem complexo e longe, bem longe da sensação de “chapado” de alguns equipamentos digitais. Evidentemente, as simulações da Boss são as que soam mais fieis, o que é um ponto favorável muito forte. Uma característica também muito positiva é a dinâmica de resposta, que dá muitas possibilidades de interpretação ao artista. Se você toca forte é um timbre, se toca fraco é outro, aproximando a execução de um ambiente com amps de verdade. Mas nem tudo são flores. Em comparação com outros equipamentos, talvez a Boss GT-001 tenha um pouco de ruído a mais. Nada que comprometa a sua performance, mas usuários acostumados a soluções 100% digitais podem estranhar no início. Do outro lado da moeda, guitarristas habituados com sets analógicos, provavelmente, não irão se incomodar, pois já estão confortáveis com esse tipo de ruído.

 

BOSS GT-001 Vs LINE 6 POD 2.0

Preciso dizer que uso o velho de guerra POD 2.0, da Line 6 há muito tempo. Uma das primeiras coisas que fiz foi ligar os dois e comparar. Em relação aos timbres e simulações em si, em alguns pontos vence o POD 2.0 e em outros a GT-001. Porém, e sempre tem um porém, é nítida a sensação de maior ganho na GT-001, o som é ligeiramente mais rico. Um ponto importante para compatilhar sobre o comparativo entre os dois equipamentos é diferença na dinâmica do som. Nesse quesito, o POD 2.0 perde feio. A GT-001 soa muito mais responsiva à dinâmica e responde melhor às variações de força que o guitarrista faz, principalmente com a mão direita. Enquanto o POD 2.0 tende a soar mais uniforme, mais comprimido. Em tempo, faço questão de dizer que a comparação não é exatamente justa, pois o POD 2.0 é um equipamento antigo. Comparando com a linha POD HD atual, a disputa é acirrada. Diria que o ponto forte da Boss é dinâmica, combinada ao som no amplificador, embora a qualidade da gravação direta seja aceitável. Nesse ponto, o concorrente pareceu mais realista. Aí é questão de gosto e de adequação ao que você está buscando. É precido dizer também que, nesse momento, o POD HD 500 está sendo vendido ligeiramente mais caro. Existem alguns vídeos gringos no Youtube, caso queira ouvir você mesmo e decidir se tenho ou não razão.

 

CONVERTENDO AUDIO PARA MIDI

Afinal, para que eu iria querer isso? Para algumas coisas interessantes. Você poderia utilizar sua guitarra como um controlador MIDI, o que abre um leque imenso em termos de sonoridades disponíveis. Disparar som de sintetizadores, mesclar o som do amplificador com um instrumento virtual em tempo real, enfim, o céu é o limite. A grande pergunta é: funciona? Sim, funciona, mas não perfeitamente. O Boss Tone Studio te permite controlar a forma como a GT-001 interpreta o sinal. Mais ou menos dinâmica, a forma de tratar os bends, enfim várias opções para calibrar o dispositivo de acordo com o tipo de som que você está buscando. Uma boa opção inicial é desabilitar a dinâmica.

 

Durante os testes, notei que o calibre das cordas da guitarra afeta o registro que o processador faz da nota (pitch) e quanto maior é a tensão, mais precisa é a captação. A precisão com que se toca também afeta enormemente a qualidade da captação, portanto, guitarristas com a pegada “suja” farão pouco uso dessa funcionalidade. Inicialmente, é um pouco difícil de tirar um bom som, mas gradualmente você vai acostumando os dedos e a coisa vai melhorando. Apesar disso, sempre entra uma nota a mais ou acontecem pequenos erros de interpretação. Se o seu lance é composição, ok! Mas se pretende utilizar ao vivo, boa sorte.

 

SAMPLES GT-001 / SOLDANO

 

BÔNUS

Com a GT-001 é possível gravar voz e instrumentos acústicos, utilizando a entrada de microfone. Confesso que não levei muito a sério, mas depois de testar, preciso dizer que o resultado final é muito satisfatório.

 

CONCLUSÃO

A GT-001 apresenta excelente relação custo x benefício e é uma boa pedida para quem quer ter versatilidade, sem gastar muito ou ocupar muito espaço. A qualidade de som é muito boa e as possibilidades de combinação e roteamento de som são inúmeras. É um oponente de peso para a linha POD.

 

A Boss acabou de lançar na Musikmesse 2014 um grande velha novidade. Velha porque o conceito é antigo, mas uma novidade, pois trata-se de uma grande virada para a empresa, que passa a investir na produção musical mais integrada aos desktops e notebooks. Estou falando da Boss GT-001. É um multiprocessador de efeitos em formato …

Review Review BOSS GT-001 – Multiefeitos USB compacto

Qualidade de som
Facilidade de uso
Versatilidade
Preço
Sinal x ruído

Veredito

Vale a pena comprar, mas recomendamos comparar com o concorrente da Line 6. A qualidade é equivalente, porém algumas características são muito diferentes e vai prevalecer o gosto de cada um.

88

Quem é o editor do Guia do Áudio?


O Guia do Áudio é mantido por Gabriel Guerra

Músico, compositor, produtor musical e publicitário.

Ficou curioso? Saiba mais sobre meus trabalhos:
SoundCloud | Youtube | Facebook | gabrielguerra.me


Produção musical? Produza seu CD comigo!

Já comentou?

Seu email não será publicado. Campos obrigatório marcados *

*

Topo da página