Como escolher Mixer ou Mesa de Som

Com o avanço da tecnologia muitas funcionalidades que eram exclusividade de mixers de grande porte foram sendo gradativamente implementados em mesinhas cada vez menores. Mandadas de efeito, subgrupos, equalizadores mais versáteis, efeitos de insert e , por que não, interface de áudio embutida.

Comprar ou não comprar: eis a questão! E que questão complicada. Vamos tentar explicar para que cada uma dessas novas-velhas funcionalidades serve e assim, vai ficar mais fácil saber se vale a pena ou não trocar de equipamento ou mesmo comprar um novo.

Comentarei apenas as funcionalidades que mais variam entre os modelos.

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Mandadas de Efeito ou FX Sends ou Loop de efeitos

Loops de Efeito ou “FX sends” são o meio mais fácil de compartilhar o mesmo efeito entre todos os canais da mesa. Para isso você deve plugar a saída do efeito no send e a entrada no return. Como o próprio nome “Loop”  sugere, o som transformado fica trafegando entre o mixer e o periférico, que pode ser um reverb, por exemplo. Então você decide quanto daquele canal deve ser transformado pelo efeito, girando o “knob”.
Com loops de efeito você também pode mandar, em vez do efeito, um canal da mesa, de forma que ele vá para os fones mais não seja gravado.

Indicado para: 
Quem grava vozes. É impossível gravar bons vocais sem que o cantor se ouça e bem. Para isso é necessário total controle do volume dos instrumentos e se tiver um reverb, melhor ainda.

Inserts

Inserts são similares aos loops de efeito, pois nos permitem transformar o som do canal, porém com uma diferença crucial. Enquanto os loops de efeito nos permitem ter apenas 1 periférico para todos os canais do mixer, os inserts não. Você deve ter um periférico para cada canal se deseja utilizar inserts. Sempre vem a pergunta: mas o que me impede de inserir o processador de efeito antes de plugar o instrumento. Resposta: nada. Porém quando você tem muitos cabos ligados na sua mesa, se torna muito complicado ter que plugar e desplugar, descobrir qual é o cabo correto, além de tomar tempo e diminuir o tempo de vida útil dos cabos.

Indicado para: 
Quem possui processadores de efeito externos e não abre mão de seu uso. Quem usa muitos canais. Para quem grava bateria é interessante pelo fato de podermos utilizar pré-amps diretamente em cada canal.

Subgrupos

São uma forma inteligente de separar os canais em… subgrupos! Assim você pode, por exemplo, endereçar um subgrupo de canais para os monitores e outro para sua interface de áudio. A vantagem é que cada subgrupo tem o seu “máster”, então você não precisaria editar um por vez.

Indicado para: 
Todo o pessoal do Home Studio. Sem subgrupos as coisas se complicam. É possível utilizar um mixer virtual ou monitorar via software, porém de forma nada prática.

Equalizadores

Com o advento da gravação em HD ou o nosso Home Studio, deixaram de ser tão importantes. Isso porque qualquer software de gravação profissional vem com um equalizador razoável. Apesar disso existem situações em que tê-los por perto pode ser muito útil, para cortar um subgrave indesejado ou dar um “tapinha” em alguma freqüência. Pessoalmente, considero o corte de subgraves fundamental para uma boa gravação – o famoso filtro “passa-alta” ou “high-pass”.

Indicado para:
Quem grava outros instrumentos que não sejam guitarra. Na maioria das vezes a guitarra entra processada, ou seja, já é gravada com o timbre desejado. Para quem grava bateria, considero fundamental.

Phantom Power

Phantom Power é um tipo de alimentação requerida por microfones do tipo condensador. Esse nome (phantom, fantasma) é devido ao fato da alimentação ser invisível pois a energia é transmitida pelo cabo balanceado do microfone. Se a sua mesa não tem phantom power, você ainda pode utilizar um pré-amp – a maioria deles provê esse tipo de alimentação.

Indicado para:
Todos que pretendem fazer gravações no mínimo semi-profissionais. Para produções desse tipo os microfones a condensador se tornam indispensáveis.

Interface de áudio embutida

Para variar a Behringer deu um susto em todo mundo. Depois de fabricar modelos muito semelhantes aos da Mackie, porém com preço muito abaixo, agora lança mixers com interfaces de áudio embutidas. Segundo o fabricante são todas compatíveis com ASIO, o que para nós é fundamental. A conexão é através da porta USB.

Indicado para:
Ao que tudo indica, não chegam aos pés de uma interface dedicada. Lendo alguns “reviews” pela internet, pude encontrar com facilidade usuários reclamando da qualidade de som da linha Xenyx, mais especificamente. Pode ser que melhore com o tempo, mas no momento, não recomendo para fins sérios.

Fones de ouvido

A maioria das mesas de som já vem com esta funcionalidade, que embora pareça inútil aos iniciantes, é muito importante para monitorar sem a interferência do ambiente. Além disso nos mixers que não possuem “direct out” (veja abaixo) mandamos os fones para o músico que estiver gravando e assim, através do controle de volume controlamos a intensidade do som.

Indicado para:
Todos. Fones de ouvido são indispensáveis. 🙂

Direct Out

São saídas diretas para os canais, sem passar pelo máster – ou seja, se você tem três instrumentos plugados em sua mesa, pode plugar a saída de cada um deles na sua interface de áudio e gravá-los simultaneamente, um em cada canal. Se a sua interface tem apenas 2 canais, infelizmente essa funcionalidade terá pouca serventia para você.

Indicado para:
Somente para quem tem interfaces de áudio com mais de 2 canais.

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Músico, compositor, produtor musical e publicitário.

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